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Entenda o que são derivativos

Um derivativo é um ativo cujo valor é derivado do valor de um outro ativo subjacente, tal como ação, título, câmbio ou commodity. O comprador e o vendedor do ativo aceitam negociá-lo em datas e preços específicos. As negociações podem ser realizadas nas bolsas ou no mercado de balcão.

Por exemplo, ao negociar ouro futuro, você está negociando uma commodity que deriva seu valor do valor presente do ouro.

Derivativos exercem um papel importante no mundo moderno das finanças. Eles aumentam a eficiência do mercado, pois amortecem a mudança brusca no preço dos ativos. Eles permitem, por exemplo, aos produtores se proteger de uma queda brusca no preço do seu bem vendido através de hedges, como veremos abaixo.

Mas apesar das suas vantagens, os derivativos possuem elevados riscos. A sua natureza volátil e seu comportamento imprevisível podem trazer enormes perdas aos especuladores e instabilizar a economia, como ocorreu na recessão de 2008.

Funções dos derivativos

Há dois principais usos para derivativos:

Proteção (hedge): é o uso do derivativo com o objetivo de minimizar o risco em um mercado, isto é, a oscilação de preços em um sentido que prejudica o indivíduo. O hedge adquirido fixa o preço futuro de um ativo de modo a minimizar o seu risco.

Considere o exemplo de um produtor de soja. Uma queda no preço da soja é negativa para esse produtor, pois sua receita de venda de soja diminuirá. É do interesse desse agricultor que o preço da soja permaneça alto.

A soja estará pronta para a colheita e venda daqui a somente dois meses. Há muita insegurança por parte do agricultor sobre as condições de mercado do preço futuro da soja. E se na hora da venda o preço estiver a um preço muito baixo? O agricultor poderá então se proteger de futuras quedas no preço da soja através de um contrato derivativo. Ele pode negociar um contrato em que venderá a soja daqui dois meses em um preço determinado agora, como R$80 por saca. Desse modo, mesmo se o preço da saca daqui a dois meses estiver R$60 ou R$100, o agricultor ainda deverá vendê-la por R$80.

Quem aceitaria firmar um contrato de compra futura de soja por R$80, sendo que daqui dois meses o preço da soja poderia ser de R$60, de modo que esse indivíduo sairia ganhando bem mais se comprasse soja daqui a dois meses? Alguém que utiliza soja como insumo de seu bem produzido (um produtor de leite de soja, por exemplo). Da mesma forma que o produtor de soja pode estar receoso de que o preço futuro da soja esteja muito baixo, o produtor de leite de soja pode estar receoso de que o preço futuro da soja esteja muito alto, de modo que seus custos de produção aumentem muito. Para minimizar essa incerteza, o contrato é firmado, e assim as duas partes têm seu risco reduzido.

Especulação (alavancagem): é o uso do derivativo para aumentar o poder de retorno da aplicação. Você pode crer que o valor de determinada ação suba, ou que o preço do dólar caia. Desse modo, você pode firmar um contrato de compra ou venda futura de um ativo e assim sair lucrando. Você assume o risco da variação de preço do ativo em vista de obter lucro.

Por exemplo, você pode pensar que daqui a um mês o dólar estará R$5,10, então você pode fazer um contrato que lhe garanta a venda de dólares daqui a um mês por R$5,20. Assim, se sua crença se concretizar, daqui um mês você compra o dólar a R$5,20 e o vende a R$5,10, lucrando desse modo R$0,10 por cada dólar vendido.

Tipos de derivativos

Há quatro principais tipos de derivativos:

Termo: é um contrato entre duas partes para comprar/vender um ativo a um preço específico numa data futura específica, fixados no momento em que o contrato é firmado.

Suponha que o preço do barril do petróleo esteja sendo negociado neste momento a U$50. Um indivíduo acredita que o preço do barril estará sendo negociado daqui um mês a U$70. Então esse indivíduo pode firmar um contrato derivativo no mercado a termo com uma produtora de petróleo em que ele se compromete a comprar certa quantidade de barris daqui a um mês pelo valor de U$60. Dessa forma, se sua crença se concretizar, isto é, se o preço do barril de fato estiver U$70 daqui a um mês, este indivíduo poderá lucrar U$10 por cada barril de petróleo que ele comprou no mercado a termo, pois estará comprando o barril a U$60 e vendendo a U$70.

Futuro: é semelhante ao termo, porém com duas diferenças importantes. A primeira delas é que há ajustes diários dos compromissos. Os contratos se ajustam de acordo com as informações presentes e expectativas futuras do mercado.

A segunda diferença é que em mercados futuros é permitido que o contrato seja vendido antes do prazo de vencimento. Assim, mercados futuros possuem maior liquidez que mercados a termo.

Opção: é um contrato que concede o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um valor determinado em determinada data.

Suponha que exista um ativo sendo negociado no mercado a R$10, e você acredita que daqui um mês esse ativo será negociado a R$7. Então você pode fazer o seguinte: oferecer um real por ativo hoje para um indivíduo (chamemos de João) para ter a opção de vender esse ativo a R$9 daqui um mês para João. Se a sua crença se concretizar, isto é, se daqui um mês esse ativo estiver sendo negociado a R$7, então você pode comprar no mercado esse ativo ao preço vigente de R$7 e vendê-lo a R$9 para João. Dado que você firmou esse contrato dando R$1 por cada ativo, você sairá lucrando R$1 por ativo.

Mas por que João iria aceitar firmar esse contrato, já que ele possui a obrigação de comprar o ativo no preço estabelecido? Justamente por causa do R$1 que você oferece por cada ativo. Esse valor é chamado de prêmio.

Perceba que o mercado de opções é muito parecido com o mercado a termo. A diferença é que no caso do mercado de opções, aquele que comprou a opção (chamado de titular) não possui a obrigação de comprar ou vender o ativo pelo preço e na data estabelecidos no contrato, apenas o direito – embora quem vendeu a opção (chamado de lançador) é obrigado a comprar ou vender o ativo se o titular tiver interesse na compra/venda. Já no caso do mercado a termo, não há a opção de compra ou venda, mas sim a obrigação.

Swaps: é um contrato que promove a troca de rentabilidade entre dois ativos. O propósito dos swaps é diminuir o risco de ambas as partes.

Suponha uma empresa tenha feito um empréstimo em que ela precisa pagar uma taxa de juros variável. Essa taxa se encontra em 4% nesse momento. A empresa imagina que essa taxa irá subir futuramente. Ela pode fazer, então, um contrato em que paga uma taxa fixa de 5% para a outra parte negociante, de modo que essa outra parte tenha que pagar os juros variáveis. Essa outra parte, obviamente, crê que a taxa de juros não será maior que 5% ao longo do tempo de contrato, de modo que ela tenha vantagem com o negócio.

Conclusão

A criação dos mercados de derivativos trouxe mais estabilidade aos mercados e permitiu um avanço significativo nas economias, minimizando os riscos dos produtores, sobretudo produtores de commodities.

O mercado de derivativos é extremamente complexo, portanto é aconselhável para profissionais e indivíduos com experiência. Para negociar derivativos, você deve estar bastante a par das condições de mercado e suas expectativas devem estar alinhadas com a realidade. Caso contrário, os prejuízos podem superar em muito os ganhos.