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Qual a diferença de fundos multimercado pra fundos de ações?

Os fundos de multimercado unem estratégias de investimentos em ativos de renda fixa e de renda variável. Sendo assim, podem investir em ativos de diferentes mercados como câmbio, ações, títulos, e ainda utilizar derivativos tanto para alavancagem quanto para proteção da carteira.

Como fundos de investimento, os fundos multimercado possuem similaridades com os fundos de ações: são financiados por capital de investidores, em vez de empréstimos bancários ou outras fontes de capital; investem em títulos negociados na bolsa e o capital do fundo é administrado por gestores especializados.

No entanto, diferente de um fundo de ações, fundos multimercados possuem maior liberdade de gestão e geralmente buscam rendimentos mais consistentemente elevados. 

Enquanto um fundo de ações deve investir pelo menos 67% dos seu patrimônio em ativos de renda variável, um fundo multimercado não possui uma regra específica quanto a isso. Fica a critério do gestor do fundo decidir como será feita a alocação de recursos do seu portfólio.

Por possuir um gestor profissional responsável pela administração do fundo, podemos dizer que fundos multimercado são geridos de maneira ativa. Essa gestão de fundos multimercado é remunerada através de dois principais tipos de taxa: a taxa de administração e a taxa de performance.

A taxa de administração é a remuneração paga pela prestação de serviços de gestão e administração, podendo também ser destinada a remunerar os demais prestadores de serviço que operacionalizam o fundo de investimento.

Já a taxa de performance é cobrada apenas se a rentabilidade do fundo ultrapassar o indicador de referência (geralmente chamado de benchmark), que pode ser o CDI, Índice Bovespa, entre outros.

Da mesma forma que os fundos multimercado se destacam por sua diversidade de ativos, pode-se encontrar fundos multimercados com as mais diferentes estratégias.  Enquanto alguns multimercados dão preferência a ativos de menor risco na composição de sua carteira como, por exemplo, ativos de renda fixa, outros preferem arriscar um pouco mais para obter melhores retornos.

Por conta dessa diversidade a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) criou uma classificação que agrupa os fundos multimercado de acordo com suas principais características.

Essa classificação é separada em três grupos: alocação, estratégia e investimento no exterior. Estes, por sua vez, têm algumas subdivisões que se diferenciam entre si. 

O grupo de alocação busca retorno no longo prazo por meio de investimentos em diversas classes de ativos (renda fixa, ações, câmbio etc.), incluindo cotas de fundos de investimento. Neste, há duas subdivisões: balanceados e dinâmicos.

Os fundos de alocação balanceados possuem estratégia de alocação predeterminada, devendo especificar previamente e de forma bem explícita em quais classes de ativos o gestor irá investir, incluindo deslocamentos táticos e/ou políticas de rebalanceamento explícitas. Não permitem alavancagem.

Já os dinâmicos possuem estratégia de alocação de ativos sem o comprometimento de ter uma estratégia explícita predeterminada. Portanto, a distribuição do dinheiro é flexível e pode mudar de acordo com as condições de mercado. Permitem alavancagem. 

Os fundos que pertecem ao segundo grupo, estratégia, obedecem às regras de estratégias que podem ser adotadas pelo gestor. Deve-se verificar qual estratégia o fundo se baseia para entender se é coerente com os seus objetivos.  Neste, há várias subdivisões: Macro, Trading, Long and Short Direcional, Long and Short Direcional Neutro, Juros e Moeda, Livre, Capital Protegido e Estratégia Específica.

Na estratégia de macro há a operação em diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio etc.) e define as diretrizes de investimentos com base em avaliações de cenários macroeconômicos de médio e longo prazo.

A trading realiza operações em diversas classes de ativos (renda fixa, renda variável, câmbio etc.) explorando oportunidades de ganhos a partir de movimentos de curto prazo nos preços dos ativos.

Long and short direcional opera ações e derivativos no mercado de renda variável, montando posições compradas (long) e vendidas (short), as posições compradas podem ser maiores que as vendidas e vice-versa.

Long and short neutro também monta posições compradas e vendidas com ativos e derivativos ligados ao mercado de renda variável. A diferença entre esta e a operação direcional é que a exposição desses fundos no mercado é neutra. Ou seja, a posição vendida e a posição comprada terão os mesmos valores e parâmetros de aposta, o que neutraliza o investidor, ficando menos exposto à oscilação do mercado. O objetivo é manter a exposição financeira líquida limitada a 5%.

Juros e moeda busca retorno no longo prazo via investimentos em ativos de renda fixa, admitindo-se estratégias que impliquem risco de juros, risco de índice de preço e risco de moeda estrangeira. Não investem em renda variável.

Fundos classificados de estratégia livre não possuem compromisso de concentração em nenhuma estratégia específica, possuindo uma variedade de possibilidades. Essa categoria costuma ser uma das que têm maior volume de investimentos entre todos os multimercados.

Na estratégia capital protegido o fundo busca retornos em mercados de risco, porém visando proteger parte ou a totalidade do principal investido. Dessa forma, se houver perdas no investimento do fundo, pode-se recuperar um percentual predefinido ou a totalidade dos recursos que investiram.

Por fim, na estratégia específica é adotada uma estratégia de investimento que implica riscos específicos, tais como commodities ou futuros de índices.

O último grupo da classificação é o de investimento no exterior. Para um fundo multimercado receber essa classificação, deve-se investir pelo menos 40% do patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior. Também são uma das maiores categorias de fundos multimercados. Esta categoria não possui subdivisões.

Em termos de risco, fundos multimercados são, em geral, considerados moderados ou agressivos. Porém, alguns fundos, como os classificados como Juros e Moedas (que não investem em renda variável), são de baixo risco, sendo considerados conservadores.

Assim, os fatores de risco dos multimercados estão ligados aos ativos que compõem suas carteiras. Por exemplo, fundos que investem mais em renda fixa estão mais sujeitos ao risco de calote desses títulos.

O investidor deve se atentar ao risco de volatilidade e oscilação de preços. O uso de alavancagem, fim e maximizar os ganhos, também influencia diretamente no grau de risco de um fundo multimercado.

Por isso, antes de você escolher um fundo multimercado para investir, sempre verifique os riscos aos quais o fundo está exposto a partir da estratégia utilizada por cada fundo.

Se tratando da liquidez, deve-se atentar ao fato de que fundos multimercados podem ter regras bem específicas e diferentes de outros tipos de fundos quando se diz respeito ao saque. Não é raro, por exemplo, que prevejam um prazo de carência.

Os documentos do fundo precisam especificar qual é a data de conversão, além da data de pagamento, isto é, quando os recursos serão efetivamente disponibilizados ao investidor. 

Os prazos para saque podem variar bastante. Há fundos que pagam o investidor poucos dias após o pedido de resgate, apresentando alta liquidez. Outros só disponibilizam os recursos muito tempo depois do pedido de resgate. Podendo chegar a 30, 60, 90 ou, até mesmo, acima de 180 dias.

Em razão disso, quem investe nesse tipo de fundo deve saber a respeito do prazo para resgate e ter outras aplicações financeiras de alta liquidez para atender às suas necessidades mais imediatas. 

Muitos investidores podem encontrar dificuldades em montar uma carteira de investimentos ou sofrer com a falta de tempo para analisar ativos ou simplesmente acompanhar o portfólio. Assim, os fundos multimercados podem ser uma opção a ser considerada, uma vez que gera praticidade ao investidor, e permitem diversificar a carteira por meio de uma única aplicação.

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O que é cultura corporativa?

O termo cultura corporativa refere-se às crenças e comportamentos que determinam como os funcionários e a administração de uma empresa interagem.

Uma cultura corporativa pode ser desenvolvida intencionalmente ou, muitas vezes, está implícita, e surge organicamente ao longo do tempo a partir dos traços conjuntos de pessoas que a empresa contrata. 

Ela também é influenciada pelas culturas e tradições nacionais, tendências econômicas, comércio internacional, tamanho da empresa e produtos.

A cultura de uma empresa será refletida em seu código de vestuário, horário de funcionamento, configuração do escritório, benefícios aos funcionários, rotatividade, decisões de contratação, tratamento dos clientes, satisfação dos clientes e todos os outros aspectos das operações.

É como uma impressão digital: pode ser semelhante a outras, mas é singularmente distinto do seu negócio. Todo o resto (produtos, estratégias, marketing, etc.) podem ser replicados, mas são os valores e normas da organização, sua cultura, que cria uma identidade única. 

Como uma Cultura Corporativa é criada e comunicada

Os líderes da organização são vitais para a criação e comunicação da cultura do seu local de trabalho. No entanto, a relação entre liderança e cultura não é unilateral. Enquanto os líderes são os principais arquitetos da cultura, uma cultura estabelecida influencia que tipo de liderança é possível.

Os líderes devem apreciar seu papel na manutenção ou evolução da cultura de uma organização. Uma cultura profundamente enraizada e estabelecida ilustra como as pessoas devem se comportar, o que pode ajudar os funcionários a atingir seus objetivos. Esse quadro comportamental, por sua vez, garante maior satisfação no trabalho quando um funcionário sente que um líder o está ajudando a completar uma meta. Nesta perspectiva, cultura corporativa, liderança e satisfação no trabalho estão todos indissociavelmente ligados.

Líderes podem criar, e também ser criados ou influenciados por, muitas culturas diferentes no local de trabalho. Essas diferenças são explícitas em diversos fatores, dentre eles:

Valores da organização. No coração das culturas das organizações são geralmente compartilhados valores. Nenhum está certo ou errado, mas as organizações precisam decidir quais valores irão enfatizar. 

Grau de hierarquia. O grau de hierarquia é o grau em que a organização valoriza os canais tradicionais de autoridade. São três tipos gerais de graus de hierarquia: o “Alto”, em que há uma estrutura organizacional bem definida e uma expectativa de que as pessoas trabalharão através dos canais oficiais; “moderado“: tendo uma estrutura definida, mas uma aceitação de que as pessoas freqüentemente trabalham fora dos canais formais; e “baixo“, em que descrições de cargos são vagamente definidas e aceita-se que as pessoas desafiam a autoridade.

Uma organização com um alto nível de hierarquia tende a ser mais formal e se move mais lentamente do que uma organização com um baixo nível de hierarquia.

Grau de urgência. O grau de urgência define a rapidez com que a organização quer ou precisa tomar decisões e inovar. Algumas organizações escolhem o seu grau de urgência, mas outras o têm dado pela estrutura do mercado.

Uma cultura com altos níveis de urgência tem uma necessidade de realizar projetos rapidamente e uma alta necessidade de responder a um mercado em mudança. Um nível moderado de urgência move projetos a um ritmo razoável. Um baixo nível de urgência significa que as pessoas trabalham lenta e consistentemente, valorizando a qualidade mais que a eficiência. Uma organização com alta urgência tende a ser acelerada e suporta um estilo de gestão decisivo. Uma organização com baixa urgência tende a ser mais metódica e suporta um estilo de gestão mais considerado.

Orientação por pessoas ou tarefas. As organizações geralmente têm uma forma dominante de valorização das pessoas e das tarefas. Uma organização com uma forte orientação para as pessoas tende a colocar as pessoas em primeiro lugar na tomada de decisões e acredita que as pessoas impulsionam o desempenho e a produtividade da organização. Uma organização com uma forte orientação para tarefas tende a colocar tarefas e processos em primeiro lugar na tomada de decisões e acredita que eficiência e qualidade impulsionam o desempenho e a produtividade da organização.

Algumas organizações podem escolher seus funcionários e diretrizes de tarefas. Mas outros podem ter que se adaptar à natureza de sua indústria, questões históricas ou processos operacionais.

 Orientação por função. Toda organização coloca ênfase em determinadas áreas funcionais. Exemplos de orientações funcionais podem incluir marketing, operações, pesquisa e desenvolvimento, engenharia ou serviço. Por exemplo, uma organização inovadora conhecida por sua pesquisa e desenvolvimento pode ter em seu núcleo uma orientação funcional para P&D. Uma empresa de hospitalidade pode se concentrar em operações ou serviços, dependendo de suas escolhas históricas e de sua definição no mercado.

Funcionários de diferentes funções na empresa podem pensar que suas áreas funcionais são as que impulsionam a organização. Os líderes organizacionais devem entender o que a maioria dos funcionários percebe como sendo a orientação funcional da empresa.

Subculturas corporativas. Qualquer organização pode ter uma mistura de subculturas, além da cultura dominante. Existem subculturas entre grupos ou indivíduos que podem ter seus próprios rituais e tradições que, embora não compartilhadas pelo resto da organização, podem aprofundar e ressaltar os valores centrais da organização. Subculturas também podem causar sérios problemas.

Por exemplo, as culturas regionais muitas vezes diferem da cultura geral que a liderança de topo tenta incutir. Talvez a agressividade que é comum em uma área possa não se confundir com uma cultura que enfatiza a formação de equipes. Ou uma organização com uma cultura construída em torno da igualdade pode ter problemas se a cultura nacional enfatizar a hierarquia e esperar que as pessoas se curvem à autoridade. Os gerentes e profissionais de RH devem reconhecer essas diferenças e tratá-las diretamente.

Por que uma cultura corporativa importa e como influencia na performance corporativa

A cultura corporativa é o DNA que fornece diretrizes, limites e expectativas para sua equipe e seus clientes, e é a principal plataforma para inspirar e motivar seu pessoal. 

Uma forte cultura empresarial torna-se a cera que mantém a colmeia unida e é boa para uma organização e seus funcionários de muitas maneiras:

Retenção. A rotatividade dos trabalhadores tem um custo elevado para uma empresa, com aumento dos custos de recrutamento, contratação e treinamento. Uma cultura corporativa saudável pode ajudar uma empresa a reter funcionários valiosos e reduzir os custos com recursos humanos.

Reter os funcionários, mantendo-os envolvidos na sua cultura e missão, é a chave para evitar que sua organização caia na cara armadilha da alta rotatividade. 

Equilíbrio trabalho/vida. Quando os funcionários se sentem mais dignos de confiança, eles se sentem mais capacitados para atingir um equilíbrio trabalho/vida que seja confortável para eles. Por sua vez, gerentes que confiam em seus funcionários podem passar o dia focando em outras coisas além de policiar seus funcionários e encontrar um melhor equilíbrio também. O equilíbrio trabalho/vida também desempenha um papel na retenção.

Uma das razões porque a cultura da empresa é importante para os funcionários é que eles passam muito tempo no escritório. As pessoas querem aproveitar onde trabalham e saber que o trabalho que estão fazendo tem impacto.

Reputação. Empresas com uma cultura corporativa saudável ganham uma reputação positiva entre trabalhadores potenciais, o que pode atrair trabalhadores talentosos e qualificados para a organização. 

Além de atrair trabalhadores de alta qualidade, uma reputação empresarial bem conceituada permite à empresa cobrar um preço mais alto por produtos e serviços e aumenta o valor da empresa no mercado financeiro. 

Os clientes também podem preferir realizar negócios com uma reputação corporativa sólida. A internet torna mais fácil do que nunca descobrir como uma empresa trata seus funcionários, os valores que ela defende e suas políticas. Quando os consumidores se alinham com a cultura de uma empresa, é mais provável que eles apoiem e promovam a marca.

Saúde. Quando os funcionários estão felizes e engajados em seu trabalho, seus níveis de estresse provavelmente irão diminuir. Melhor saúde da força de trabalho tem resultados positivos na sua organização e na sociedade. Seus funcionários levarão menos tempo de doença, serão mais produtivos e terão maior probabilidade de participar de todos os aspectos da comunidade.

Qualidade dos produtos e serviços. Culturas corporativas saudáveis incentivam os trabalhadores a entregar produtos e serviços de qualidade. Empresas com culturas que valorizam os mais altos padrões criam um ambiente para os trabalhadores entregarem produtos que atendam a esses altos padrões. Os padrões culturais de excelência são um fator importante para a criação de um produto ou serviço com reputação de alta qualidade.

Produtividade. A melhoria do moral dos trabalhadores em uma empresa com uma cultura corporativa saudável aumenta a produtividade. Quando os trabalhadores aumentam a produtividade, a saúde financeira da organização melhora, e os lucros aumentam. O aumento da produtividade é uma medida que ilustra as eficiências e a eficácia na empresa. Os funcionários se beneficiam de aumentos de produtividade com salários mais altos nos programas de benefícios aos funcionários.

Os funcionários que se sentem mais felizes no trabalho são mais produtivos e se preocupam mais com o futuro da empresa do que aqueles que não gostam do que fazem ou do ambiente que trabalham.

Com todos esses benefícios, é fácil perceber porque focar na cultura da empresa é importante. Ela deve ser sustentável e permeável a toda a força de trabalho. Ainda se pensa muito em como fazer isso, e todas as empresas devem customizar sua abordagem. Uma cultura corporativa que perdure é vital para garantir que a organização funcione como uma máquina bem oleada e seja mais produtiva.

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Quais são as etapas de uma operação de M&A?

Uma operação de M&A de sucesso tipicamente envolve várias etapas e conhecimentos de diversas áreas de atuação. Empresas interessadas que entendem e se preparam para esse processo podem potencialmente aumentar a certeza do fechamento, otimizar o preço minimizando riscos e maximizar o valor criado. 

Não há uma regra ou uma lei que regulamente um processo de M&A. As etapas são constituídas a partir da experiência adquirida ao longo das décadas em que este processo amadureceu. De forma geral, podemos dividir em 8 partes principais:

Estratégia de aquisição. Nesta primeira fase, são identificadas as motivações, seja da empresa ou dos acionistas, que justificam um processo de M&A. É avaliado como e por quê o procedimento agrega valor ao negócio, definindo os critérios que balizarão o processo de avaliação.

Identificação e contato com empresas alvo. Após definir a estratégia de M&A a ser adotada, é preciso definir uma lista de empresas alvo que se encaixam no perfil que a companhia adquirente busca. As empresas candidatas são identificadas, avaliadas e classificadas conforme o seu potencial em satisfazer os objetivos e metas da companhia adquirente.

Troca de informações. O primeiro contato com as empresas fornecerá uma melhor visão das intenções das companhias envolvidas, possibilitando a escolha de um alvo definitivo. Quando as duas partes decidem levar adiante a transação, há uma troca preliminar de informações para que as companhias possam melhor avaliar os possíveis benefícios do processo de M&A.

Execução da análise de avaliação. De posse de informações como o histórico, produtos e demais informações financeiras da empresa alvo, bem como da companhia adquirente, ambas as partes podem iniciar o processo de avaliação para estimar o real valor do negócio. Nesta fase, são avaliadas as extensões das sinergias resultantes da transação, que podem emergir em forma de redução de custos e maior poder de mercado, por exemplo.

Negociação e oferta. As partes possuem interesses distintos. A parte compradora deseja desembolsar o menor valor possível no negócio, enquanto a parte vendedora deseja receber a melhor oferta que puder pela transação. Nesta etapa, as duas companhias se reúnem e discutem qual a melhor forma de negociação e quais os termos do negócio. Uma vez que o adquirente tenha informações suficientes para permitir a construção de uma oferta razoável, a oferta é apresentada e as duas empresas podem negociar os termos com mais detalhes.

Due diligence. A due diligence (ou “devida diligência”) é uma etapa exaustiva que começa quando a oferta é aceita, por ser um processo minucioso, completo e abrangente de checagem de informações fornecidas pela companhia vendedora que visa confirmar ou corrigir a avaliação feita pela companhia adquirente. A due diligence ajuda a entender completamente os problemas, oportunidades e riscos envolvidos na transação.

Estruturação do negócio. Após a conclusão da due diligence, é preciso definir a forma de incorporação da empresa alvo à empresa compradora. Os custos tributários e os impactos fiscais têm influência direta na condução desta etapa. Questões logísticas, regulatórias, operacionais e culturais são avaliadas e equacionadas nesta fase do processo de M&A.

Integração. Esta fase final é fundamental para garantir o sucesso de toda a operação. As equipes de gerenciamento da companhia adquirente e da empresa-alvo trabalham em conjunto para o sucesso final da operação. Vários fatores influenciam a forma de integração, tais como o tamanho da empresas envolvidas, capacidade gerencial instalada e cultura corporativa.

Qual o papel dos bancos em um processo de M&A?

O processo de M&A é bastante complexo. Uma transação pode levar meses, ou até mesmo anos, para ser concluída. Por isso, há a necessidade de contar com profissionais qualificados e com a expertise de lidar com operações altamente estruturadas. Os bancos de investimentos são entidade do mercado que lidam com grandes captações de recursos e fornecem suporte durante todo o processo M&A.

A atuação dos bancos de investimento em cada operação de M&A pode ir desde a concepção da proposta de consolidação entre as companhias até à integração final das partes. Esse serviço pode ser prestado tanto para a parte vendedora ou absorvida quanto para a parte adquirente. Os bancos de investimento muitas vezes são os responsáveis pelo mapeamento dos potenciais alvos e por dar o devido andamento e assessoramento econômico-financeiro às operações de M&A, avaliando todos os tipos de sinergias envolvidas. Por fim, também são um serviço especializado que supre a necessidade de capital dos seus clientes, com a finalidade expandir negócios e levantar recursos. 

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O que é private equity?

Private Equity é uma classe de investimento que consiste de capital que não está listada na bolsa de valores. O private equity é composto por fundos e investidores que investem diretamente em empresas privadas, ou que se envolvem em aquisições de empresas de capital aberto resultando no encerramento da listagem das suas ações públicas. Para todas as operações de private equity, os bancos de investimento representam as empresas envolvidas que buscam comprar, vender ou levantar capital. 

Como são utilizados os investimentos em private equity?

Em geral, investimentos em private equity se destinam a provocar uma mudança positiva em uma empresa, como por exemplo:

Para crescer um novo negócio. Investir capital de crescimento para permitir a expansão ou o desenvolvimento da operações da nova companhia.

Para trazer mudanças operacionais. Reestruturar ou inovar uma empresa para torná-la mais lucrativa.

Para financiar uma aquisição. Operações de capital para efetivar a compra de outra entidade.

Tornar uma empresa de capital aberto em capital fechado. Conversão de uma empresa até então listada na bolsa em empresa de capital fechado para possibilitar as vantagens decorrentes do status privado.

Como os retornos do private equity são alcançados através de melhorias operacionais e reestruturação financeira, a experiência e a capacidade de liderança do gestor de private equity são primordiais.

Como funciona um investimento de private equity?

Quando uma equipe de gestores investe em private equity, há três partes em sua estratégia:

Compra

Primeiro, uma estratégia de aquisição é mapeada. Geralmente,  é feito o chamado “sourcing”. O sourcing envolve a descoberta e avaliação de uma oportunidade de investimento. Os negócios de private equity são obtidos através de vários métodos como pesquisa, análise interna, networking, “cold calls” com executivos de empresas-alvo, reuniões de negócios, triagem para determinados critérios, conferências e conversas envolvendo especialistas do setor, e muito mais. 

Uma due diligence é conduzida para formar um melhor entendimento da empresa alvo. Isso inclui pesquisar e coletar informações sobre a empresa e sua indústria. Podem também entrar em contato com o banco de investimentos para conhecer a empresa a partir de sua perspectiva e potenciais opções de financiamento da dívida que estão disponíveis para a aquisição.

Após a due diligence, a equipe de investimento prepara uma proposta de investimento e a apresenta ao seu comitê de investimento.

Se a proposta for aprovada pelo comitê de investimento, a equipe de negociação procederá enviando uma proposta final para a empresa alvo. Esta proposta inclui um preço final de compra, documentos de financiamento de bancos de investimento e contratos preliminares de fusão ou aquisição. Os contratos preliminares de fusão serão discutidos posteriormente com os advogados do vendedor. O vendedor e seus assessores passarão pelo menos alguns dias considerando as propostas recebidas e finalmente escolherão uma proposta vencedora.

Uma vez que o vendedor, juntamente com seus banqueiros de investimento e consultores, escolham uma proposta vencedora, eles trabalharão exclusivamente com aquela opção preferida para assinar documentos de transação e contratos. Um Contrato de Compra (ou Acordo de Fusão) e outros documentos serão criados após negociações entre os advogados do comprador e do vendedor. Assim, uma operação de aquisição é concluída.

Alteração

Se a operação ocorre, a empresa adquirida pode ser reestruturada ou reorganizada, melhorando seus processos a fim de aumentar a sua rentabilidade. Torna-se, com efeito, uma nova empresa.

Venda

Após possíveis mudanças na companhia, e decorrido o tempo desejado, as participações adquiridas via private equity são colocada no mercado, e são vendidas com lucro. Os investidores de private equity participam desses lucros.

Cada etapa representa um segmento da estratégia de aquisição da equipe de gestão de private equity. Este processo de turnaround é o que diferencia o private equity de outras formas de investimento: ele empreende a transformação corporativa, tendo como objetivo a rentabilidade.

Como as empresas podem utilizar investimentos de private equity ao seu favor?

Empresas utilizam o investimento de private equity para se fortalecerem e se desenvolverem de uma forma que um financiamento tradicional não pode proporcionar. Em particular, os investimentos de private equity podem abranger todas as etapas do ciclo de vida de uma empresa.

Venture Capital (Capital de risco): O financiamento de venture capital é uma forma de private equity na qual os investidores (também conhecidos como investidores anjos) fornecem capital aos empresários. Dependendo da fase em que é fornecido, o venture capital pode assumir várias formas. O Seed financing (financiamento de sementes) refere-se ao capital fornecido por um investidor para escalar uma idéia de um protótipo de um produto ou serviço.

Growth Capital (Capital de desenvolvimento): Este é um investimento para ajudar empresas maduras a trazer um novo produto para o mercado, investir em uma nova fábrica ou adquirir uma empresa.

Buyout Capital (Capital de Compra): Aqui, a empresa utilizaria do financiamento de private equity para adquirir mais de 50% de uma empresa existente ou uma das suas divisões, levando a uma mudança de controle. Geralmente se realiza a compra de uma empresa subvalorizada ou que está abaixo do desempenho potencial.

Dívida Mezzanine: Corresponde a um tipo de dívida utilizada para financiamento de projetos de investimento de longo prazo, que combina numa mesma transação, capital (ações e outras formas de participação no capital) e dívida. O objetivo deste tipo de financiamento é geralmente o de financiar estratégias de crescimento empresarial através de um instrumento de financiamento híbrido, parte do qual assegurado através de suprimentos, remunerados a uma determinada taxa de juro, convertível ou não em capital, e uma outra parte através da tomada de parte do capital da empresa pelo fundo de investimento ou instituição financeira.

Capital de Reestruturação: É feita a infusão de capital em empresas com dificuldades na reorganização financeira ou operacional, a fim de resolver estas dificuldades.

Como investir em private equity?

Há várias maneiras de investir em private equity. Algumas das mais proeminentes são:

Um fundo de fundos (FOF) detém as ações de uma ampla seleção de parcerias privadas que investem em private equities. Ele oferece aos investidores um veículo econômico que reduz sua exigência inicial mínima de investimento. Também pode proporcionar diversificação, uma vez que pode investir em centenas de empresas abrangendo um amplo espectro de tipos de capital de risco e setores industriais. Uma vez que sua alocação de ativos é tão diversificada, com uma grande quantidade de investimentos individuais, um fundo de fundos também pode representar um hedge contra o risco.

Os fundos de private equity negociados em bolsa (ETFs) rastreiam um índice de empresas de capital aberto que investem em private equities. Como você pode comprar ações em uma bolsa de valores, não há nenhum requisito mínimo de investimento. No entanto, os ETFs podem incluir uma taxa de gestão que não faria parte de um investimento direto em private equity, bem como uma taxa de corretagem.

Comprando as ações públicas de gestores de private equity (empresas que administram fundos de private equity) você ainda pode investir em private equity e diversificar sua carteira, pois esses gestores investem em uma gama completa de fundos, o que espalha o risco. Mas você não terá o retorno que poderia obter se investisse diretamente em um único fundo que gerasse lucros substanciais.

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O que faz quem trabalha com investment banking?

Os bancos de investimento são instituições financeiras especializadas em realizar operações financeiras altamente estruturadas, complexas e que envolvem grandes quantias de dinheiro, cujos clientes vão desde grandes corporações a governos. Para trabalhar com investment banking no dia-a-dia é necessário uma ampla gama de habilidades, sejam relacionadas às transações estratégicas realizadas pelos bancos, como M&A e Reestruturação de Dívidas, como as relacionadas a levantamento de capital, seja por emissão de dívida ou pela oferta de ações.

Para seguir nesta carreira, o profissional deve possuir um vasto conhecimento sobre mercado financeiro, economia, contabilidade e direito. Deverá analisar um enorme volume de dados, participar de inúmeras reuniões e deve estar preparado para trabalhar muitas horas por semana. Definitivamente, este não é um trabalho fácil, e talvez, por isso, esta seja uma das carreiras mais bem remuneradas do mercado financeiro. 

Entre as principais tarefas executadas pelos profissionais de investment banking, estão: estudos de mercado, análise de demonstrativos financeiros, valuation de ativos, precificação de ações, elaboração de pitchbook, elaboração de extensos relatórios, entre muitas outras. Para executar um serviço de excelência todo investment banker deve ter um conjunto de habilidades que o permitirão executar essas tarefas. Podemos discriminá-las abaixo:

Análises setoriais. A análise setorial visa a compreensão do contexto econômico no qual uma companhia está inserida. Com isso, ela permite entender de forma mais clara o posicionamento da empresa no mercado, suas principais tendências, oportunidades e ameaças, afinal, cada setor reage de forma diferente às flutuações da economia e às tendências gerais dos consumidores. Para realizar uma boa análise setorial é preciso um profundo conhecimento do mercado e compreensão do contexto macroeconômico.

Valuation. Valuation é o processo de estimar e precificar o valor de uma companhia, de seus ativos ou, até mesmo, produtos, com base em métodos quantitativos. Através dos resultados do processo de valuation é possível determinar o retorno de um investimento, auxiliando na tomada de decisões das empresas e dos bancos de investimento. Entre os métodos de valuation mais comuns estão Análise de Fluxo de Caixa Descontado, Análise de Múltiplos de Mercado e Valor Patrimonial.

Análise de Fluxo de Caixa Descontado. Por esse método de valuation, o investment banker deverá encontrar o valor presente da companhia com base nos fluxos de caixa futuros. Isto significa que, através do FCD, o valuation é feito levando em consideração aos riscos do empreendimento, custo de capital e investimentos feitos em ativos operacionais.

Análise de Múltiplos de Mercado. Esta análise consiste em determinar o valor de uma empresa ou de uma ação através da comparação com empresas, ativos e produtos similares, usando os indicadores apropriados de comparação. Os profissionais de investment banking usam esse método com bastante frequência devido a sua simplicidade e rapidez nos resultados, visto que, o mercado de ações, por exemplo, é bastante volátil e muda com frequência.

Análise do Valor Patrimonial. Na análise do valor patrimonial, o valor da empresa é calculado a partir da soma dos ativos circulantes e não circulantes e subtraído das obrigações. Para estimar o valor de uma empresa através desta metodologia, o profissional de investment banking deve possuir sólidos conhecimentos em contabilidade.

Perfis de empresas. A razão pela qual os investment bankers elaboram relatórios de perfil de empresas (company profile) é que, munidos destas informações, eles podem analisar e visualizar com mais clareza o cenário competitivo em que uma empresa está inserida. Company profile é fundamental no ramo de M&A, pois, através dele, é possível identificar possíveis empresas alvo de aquisição ou possíveis compradores para o cliente do banco de investimento.

Pitchbook. O termo pitchbook advém do basebol, onde o pitcher é o jogador responsável por lançar a bola. O pitchbook é onde o banker apresenta as suas ideias de negócios, seja na área de fusões e aquisições, reestruturação de dívida ou estrutura de capital, aos seus clientes, ou clientes em potencial. Dependendo do banker, o pitchbook pode ser documento curto, com poucas páginas, ou extenso como um livro, e geralmente é combinado com uma apresentação em PowerPoint.

Modelagem financeira. A modelagem financeira é uma ferramenta bastante utilizada para ajudar a subsidiar a tomada de decisão dos agentes envolvidos em transações complexas. Através da modelagem financeira é possível projetar cenários futuros utilizando as informações atuais a partir da construção de modelos que simplificam a realidade.

Due Diligence. Due diligence é o processo de avaliação, estudo e análise detalhada das informações de uma empresa alvo num processo de Fusão e Aquisição. A due diligence visa a identificação de eventuais distorções e contradições nas informações prestadas pela empresa alvo, ou as confirmações dessas informações.

Pesquisa. A pesquisa tem um papel fundamental no suporte operacional de um banco de investimento. Analistas passam longas horas transformando uma pilha de dados em informações úteis e relevantes que darão suporte às ações do banco, como balanços e históricos financeiros.

Interação com os clientes. O profissional de investment banking tem a responsabilidade de identificar as necessidades financeiras, não apenas dos seus clientes, mas de clientes em potencial, e, com isso, abrir um leque de oportunidades de negócios, sempre buscando encontrar novas soluções e ideias que agreguem valor ao negócio.

 

As competências básicas de um investment banker

Vimos que todo profissional da área de investment banking deve ter conhecimento de matemática, finanças, contabilidade e economia. Mas outras competências mais fundamentais são muito valorizadas neste ramo, como:

Pensamento analítico. Esta habilidade está relacionada a sua capacidade de analisar, compreender e propor soluções para situações complexas. Curiosidade e agilidade intelectual são fundamentais para o desenvolvimento do pensamento analítico do profissional de investment banking. Transações com alto grau de complexidade exigem soluções rápidas, criativas e inteligentes.

Apresentação. Todo profissional de investment banking deve saber apresentar suas ideias a clientes e investidores de forma clara, simples e direta. Reuniões e apresentações fazem parte da rotina de um investment banker, por isso é preciso buscar desenvolver estas habilidades com agilidade e precisão. As habilidades de comunicação estão diretamente relacionadas às habilidades de apresentação. Se o profissional se comunica bem, isso geralmente indica que ele terá mais capacidade de desenvolver suas habilidades de apresentação.

Resiliência. O trabalho na área de investment banking, em muitos casos, pode ser extremamente estressante e exaustivo, levando o banker ao limite físico e mental. Há momentos na carreira de um banker em que ele descobrirá que teve a ideia errada após trabalhar nela durante o dia inteiro. O profissional de investment banking deve ter a capacidade de seguir em frente, aprender com os erros, se adaptar e sempre procurar desempenhar o seu melhor papel, mesmo diante das mais variadas adversidades.

Habilidades de negociação. O profissional de investment banking estará envolvido em constantes e prolongadas negociações com clientes, investidores e fornecedores. Para fechar um bom negócio, que satisfaça as aspirações dos seus clientes e as do banco, é indispensável ser um bom negociador, saber avaliar termos e condições do negócio, as implicações do negócio, seus pontos fortes e fracos e seu custo-benefício. Uma boa capacidade de comunicação é fundamental desempenhar um bom papel de negociador.

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