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Talentos BR Partners: Paulo Mattos

Continuamos com a série #TalentosBRPartners, onde refletimos sobre a nossa história, cultura e valores pela perspectiva dos nossos colaboradores.

Contamos hoje com o Paulo Mattos, da área de Investment Banking. Ele ingressou como estagiário em 2016 e teve um crescimento impressionante na empresa, contribuindo para os ótimos resultados da sua área.

“A ideia de participar de uma plataforma em acelerada ascensão e contribuir com seu crescimento, rapidamente me cativou.

Quase 5 anos depois, orgulho-me da decisão que tomei. O espaço concedido para meu desenvolvimento e para que eu pudesse contribuir com o crescimento do banco foi muito maior do que eu imaginava que teria.

Durante todos esses anos de trabalho e dedicação, tive o privilégio de vivenciar e contribuir para a cultura do banco, além de conviver com verdadeiros amigos com os quais pude aprender praticamente tudo o que sei, e que certamente foram decisivos para que eu pudesse trilhar toda a trajetória que já percorri e que ainda irei percorrer. É recompensador poder dividir com pessoas extremamente qualificadas um ambiente colaborativo e desafiador”.

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Dicionário de Negócios

Quais os tipos de Mergers & Acquisitions (M&A)?

Como já vimos anteriormente, fusões e aquisições podem variar bastante quanto aos seus objetivos e sinergias. Por isso pode-se classificar alguns tipos principais de M&A existentes. São eles:

M&A horizontal

Uma fusão ou aquisição horizontal ocorre quando duas companhias concorrentes, que vendem o mesmo tipo de produto, se fundem, ou uma adquire a outra. Esse tipo de negócio aumenta o market share e o valor combinado das empresas envolvidas no processo, aumentando assim a capacidade de competição delas perante os demais concorrentes. Operações de M&As horizontais podem aumentar a receita da companhia ao oferecer uma gama de novos produtos para os seus clientes.

Como a competição é extremamente elevada entre companhias operando no mesmo mercado, as sinergias e potenciais ganhos de market share são extremamente elevados para as firmas que fazem a fusão.

Se uma empresa quer expandir a venda de seu produto para uma área geográfica que ela não possui nenhuma familiaridade, uma alternativa pode ser ela se fundir com outra empresa que vende esse mesmo produto nessa área, pois essa empresa conhece as especificidades locais, possui facilidade de distribuição e venda do produto nessa região e os clientes estão familiarizados com ela.

As empresas envolvidas nas fusões horizontais se beneficiam de economias de escala, que caracterizam uma situação em que o aumento na produção diminui os custos unitários de produção.

Um exemplo de fusão horizontal foi o acordo firmado entre Sadia e Perdigão para formar a Brasil Foods (BRF) em 2009. Ambas as companhias atuavam no setor de alimentos frigoríficos, de modo que sua fusão constituiu uma fusão horizontal.

M&A vertical

Uma fusão ou aquisição vertical ocorre quando duas companhias da mesma cadeia de produção, mas em estágios diferentes da mesma, se fundem, ou uma adquire a outra. Esse tipo de negócio aumenta o controle de qualidade do produto, melhora a troca de informações ao longo da cadeia de produção, explora as sinergias entre as empresas e diminui os atritos causados pela negociação. Portanto, fusões verticais tornam o processo produtivo mais eficiente ou custo-efetivo.

As M&A verticais diminuem os riscos associados com o fornecimento de bens e serviços ao longo da cadeia de produção. As empresas que emergem podem passar a utilizar um único cronograma de produção, de modo que nunca falte insumo para produção.

Existem dois tipos de integrações verticais. Integrações forward se referem a integrações que vão em direção à venda final do produto para o cliente, já integrações backward se referem a integrações que vão em direção à base do fornecimento.

A fusão ou aquisição vertical pode ser também estendida além dos fornecedores para incluir clientes. Por exemplo, nas indústrias de entretenimento e fast food é prática comum de fabricantes de fast food e bebidas se integrarem a estabelecimentos como cinemas e restaurantes de fast food, de modo que apenas sua marca específica de comida ou bebida seja oferecida para venda nesses estabelecimentos.

Um exemplo de fusão vertical ocorreu em 2015, quando a Ikea, fabricante sueca de móveis, comprou 38 mil hectares de florestas dos estados Bálticos. Como a madeira é um dos insumos mais importantes para a produção de móveis, a aquisição dessas florestas por parte da Ikea ajudou a empresa a formar a sua própria rede de gerenciamento florestal, de modo que isso representou uma integração backward.

Conglomerado

Fusões de conglomerados ocorrem quando as companhias que se fundem operam em diferentes setores e indústrias. Fusões de conglomerados são bons para diluir o risco do empreendimento entre diversas áreas.

Deve-se tomar alguns cuidados com a formação de conglomerados. O primeiro cuidado é para o conglomerado não atuar em uma área em que sua equipe de gerenciamento não tem nenhuma familiaridade e capacidade técnica de atuar naquela área, diminuindo assim a eficiência do conglomerado. Outros cuidados devem ser, por exemplo, para que a companhia não se perca em outros setores que não sejam seu setor principal de negócios ou para que não haja um choque cultural entre os colaboradores das companhias que se fundem.

Há dois tipos de conglomerados: puros e mistos.

Um conglomerado puro consiste em companhias que são totalmente distintas e que operam em mercados sem qualquer interseção.

Um conglomerado misto consiste em companhias que estão querendo expandir suas linhas de produção em um mesmo mercado.

Um exemplo de conglomerado ocorreu com a aquisição da American Broadcasting Company (ABC) pela Walt Disney Company, em 1996. Enquanto que a Walt Disney é uma empresa de entretenimento, a ABC é uma empresa de transmissão televisiva, de modo que essa aquisição foi considerada um conglomerado.

Outros tipos de M&A

Os três tipos de M&A citados são os principais, mas há ainda outros dois tipos de fusões e aquisições menos comuns. Um deles é a M&A de market-extension, que ocorre quando duas companhias que vendem o mesmo produto em diferentes mercados se fundem, ou uma adquire a outra. Outro é a M&A de product-extension, que ocorre quando duas companhias que vendem diferentes produtos no mesmo mercado se fundem, ou uma adquire a outra.

Conclusão

Para não perder sua fatia de mercado, a empresa deve sempre estar atualizada sobre as condições do setor em que ela se encontra e agir de modo a oferecer os melhores produtos e serviços para seus clientes. Nesse sentido, fusões e aquisições são formas de melhorar as condições de produção da empresa, seja através de queda nos custos de produção, de aumento na receita ou da própria conquista de novos clientes.

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Dicionário de Negócios

Takeovers corporativos: O que são e quais seus tipos

Um takeover é o termo geral usado para se referir a uma aquisição do controle societário de uma empresa por parte de outra, com ou sem a aquiescência da empresa alvo em questão,  através da compra da maioria das ações (ou todas) listadas na bolsa de valores.

Se o takeover for bem-sucedido, todas as operações da empresa adquirida, bem como suas ações e dívidas, passam a ser de responsabilidade da empresa adquirente.

O objetivo do takeover é tirar proveito das sinergias das companhias, de modo a aumentar o market share de ambas ou alcançar economia de escala que reduzam seus custos e, portanto, aumentem seus lucros.

Geralmente, takeovers são concretizados através de dinheiro, mas também ações e dívidas podem ser utilizados na negociação.

Tipos de takeover

Takeover amigável. Um takeover amigável ocorre quando o conselho administrativo de ambas as companhias – alvo e adquirente – negociam e aprovam a oferta, de modo que a operação é benéfica para ambas as partes.

A adquirente entra em contato com a diretoria da empresa alvo, fala das suas intenções e faz uma oferta. Se a diretoria aceitar a oferta, ela então aconselha seus acionistas a aceitá-la. Se eles aceitarem, o takeover amigável se concretiza.

A concretização da negociação se dá através de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), em que a empresa adquirente se compromete a comprar um grande volume de ações da empresa alvo, com data e valor específicos. As ações, nesse caso, são normalmente negociadas em um valor acima do valor de mercado, para facilitar a operação e agilizar o seu desfecho.

Exemplo: Em 2018, a rede de farmácias CVS Health Corporation adquiriu a seguradora de saúde Aetna em um takeover amigável por U$69 bilhões.

Takeover hostil. Ocorre quando uma companhia procura adquirir outra sem o consentimento desta, isto é, sem que o conselho administrativo da companhia alvo tenha interesse no negócio.

Nesse caso, a companhia adquirente pode utilizar um rol de táticas para garantir que a companhia alvo perca controle dos seus ativos.

Exemplo: Pode-se citar o caso da compra da produtora de remédios Genzyme Corporation pela companhia farmacêutica Sanofi-Aventis. Após uma tentativa de takeover amigável sem sucesso, a Sanofi-Aventis se dirigiu diretamente aos acionistas da Genzyme, pagou um valor alto por suas ações, e acabou adquirindo esta empresa.

Estratégias usadas no takeover hostil

As estratégias mais comuns usadas pela companhia adquirente para tomar controle da companhia alvo são as seguintes:

Tender offer: A empresa adquirente faz uma oferta pela compra de grande parte das ações da empresa alvo a um valor maior que o valor de mercado, para convencer seus acionistas a vender suas ações para a adquirente.

Proxy fight: Nesse caso, a companhia adquirente tenta persuadir a maioria dos acionistas da companhia alvo a aceitar a troca da diretoria, substituindo diretores que são contra o takeover por diretores amigáveis ao takeover.

Defesas do takeover hostil

Em um takeover hostil, a empresa alvo, por não querer sofrer a aquisição, vai tentar evitá-la de todas as formas possíveis.

Uma forma de se evitar o takeover hostil é através das poison pills, que consistem em cláusulas no acordo com acionistas que os obrigam a propor uma OPA que os façam comprar todas as ações da companhia caso eles adquiram determinado percentual de ações (por exemplo, 35%).

Outra estratégia usada pela companhia alvo é a defesa kamikaze, que consiste em tornar a si própria menos atrativa, seja através do aumento das suas dívidas, da venda dos seus melhores ativos ou da aquisição de ativos que a adquirente não goste.

Os paraquedas dourados, outra estratégia de defesa, são um acordo em que os executivos da empresa possuem o direito de sair da mesma com enormes compensações se houver qualquer mudança no controle corporativo da companhia. Isso dissuade os acionistas a aceitar sofrer takeover.

Takeover inverso. Um takeover inverso ocorre quando uma companhia de capital fechado compra uma companhia de capital aberto. Dessa forma, a companhia de capital fechado se torna de capital aberto ao comprar uma companhia que já é de capital aberto.

A principal razão para se fazer takeover inverso é para a empresa adquirente passar a ser listada publicamente sem passar por uma IPO, uma vez que esse processo é custoso e longo.

Exemplo: Em 1989, a empresa de capital fechado Carnival Corporation & plc, que fornece viagens de cruzeiro, adquiriu a Holland America Line, outra empresa de cruzeiro, mas essa tinha seu capital aberto.

Takeover backflip. Ocorre quando a companhia adquirente se torna uma filial da companhia alvo, daí a origem do termo “backflip”. A principal razão para se fazer esse tipo de takeover é se aproveitar da fama e da marca forte que a empresa adquirida possui.

Takeovers backflip geralmente ocorrem quando uma empresa grande e bem conhecida está sem recursos e uma empresa menos conhecida está financeiramente sólida. A companhia menos conhecida adquire, então, a mais conhecida, e passa a ser uma filial desta.

Exemplo: Aquisição da Continental Airlines pela Texas Air Corporation em 1982. Como a Continental Airlines era muito mais conhecida que a Texas Air Corporation, está último preferiu manter o nome da segunda.

Conclusão

No mundo de M&A, takeovers se referem a aquisições e englobam também as hostis. Assim como já discutido aqui, elas são muito importantes para tornar a economia dinâmica, permitindo que aquelas empresas que buscam expansão tomem controle daquelas com ineficiências e que tragam maiores margens para a nova companhia unida.

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‘Vamos todos sair mais pobres desta crise’, diz presidente do BR Partners

Enquanto entes políticos brasileiros brigam, a crise sanitária do coronavírus se agrava no Brasil e empurra a economia global para a pior crise desde a Grande Depressão de 1929. Para o presidente do banco de investimento BR Partners, Ricardo Lacerda, é a hora de o brasileiro decidir prioridades: “A gente quer governos polarizando questões técnicas ou tentando amenizar um pouco a gravidade da situação, como a gente vê em outros países?”

Buscar confluências é essencial até porque o executivo vê uma realidade imutável em relação à pandemia: “Todos sairemos mais pobres desta crise.” Nesse sentido, ele diz que é necessário mostrar que existe capacidade técnica no Brasil para lidar com o problema. Assim, quem sabe, o capital externo pode voltar ao País. “Precisa haver esforço para recuperar o interesse estrangeiro pelo nosso ambiente de negócios.”

Outra questão que preocupa o mercado financeiro atualmente – uma eventual saída do ministro da Economia, Paulo Guedes – também deixa Lacerda apreensivo. “O Paulo Guedes é hoje o grande fiador de redução do tamanho do Estado, de tentar coibir os abusos fiscais nesse tempo de pandemia. Acho que uma troca ministerial nesse momento seria uma solução péssima”, disse, durante a série de entrevistas ao vivo “Economia na Quarentena”, do Estadão.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Temos de analisar que vivemos três crises: sanitária, econômica e política. A crise sanitária é uma crise global e grave, sobre a qual existe muita incerteza. Não é uma coisa feita contra o Brasil, não é armada, está custando vidas e é cercada de incertezas. A crise econômica também é grave e se manifesta numa retração do PIB (Produto Interno Bruto) muito violenta, como a gente não viu desde a Depressão de 1929. As previsões são de que o PIB deve se contrair entre 10% a 20% no segundo trimestre e, no ano, de 5% a 10% – o Brasil aí incluído. E isso impactou a dinâmica da dívida pública dos países, a dívida das empresas e das pessoas físicas. Todos sairemos mais pobres dessa crise. Para entender a crise política, é preciso voltar às duas últimas eleições presidenciais no Brasil, nas quais vimos muita polarização. Houve uma escalada da agressividade verbal. Essa divisão continuou durante o mandato do presidente Bolsonaro. E vemos claramente a intenção de adotar um discurso para agradar um público muito fiel que pode garantir, pelo menos, a participação (de Bolsonaro) no segundo turno das eleições de 2022. Mas essa polarização tem causado muita insegurança nessa.

Como o sr. avalia o combate da crise até aqui?

Há algumas boas notícias – temos visto algumas reaberturas pelo mundo, uma estabilização do número de casos em vários países asiáticos. Estamos também vendo protocolos de tratamento e imunização do coronavírus bastante promissores. Então é possível que a gente entre em um ambiente ainda mais favorável. Na questão econômica, a atuação do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), que fez uma injeção muito violenta de dinheiro na economia. E isso levou o mercado financeiro a alguma recuperação. Com relação à questão política, é difícil vermos alguma coisa positiva. A crise econômica é agravada pela crise política.

Ao que parece, o governo federal vê o combate à crise de saúde e a recuperação econômica de forma dissociada. Neste momento, o foco deveria ser a crise sanitária?

Nós já vivemos um ambiente de enorme incerteza. Na medida que as autoridades causam mais incerteza ainda, é um problema. Todo mundo entende que a dívida pública cresce, que vai haver um novo normal no que se refere ao endividamento. Porque todo mundo entende que tem de se gastar o que for necessário para salvar o máximo de vidas. Confundir a agenda de combate à pandemia com agenda ideológica gera insegurança nos investidores e nos empresários. Se a saída da crise vai se dar parcialmente pelo investimento, esse é o caminho errado.

O câmbio vem batendo recordes atrás de recordes. O que isso nos diz sobre o Brasil de hoje?

O câmbio está extremamente desvalorizado. Deveria estar em R$ 4,60 ou R$ 4,80, e não a R$ 5,70. O governo tomou a decisão acertada de fazer uma injeção de capital grande na economia, reduzindo juros. Isso foi conduzido de forma impecável. Foi feito o que podia ser feito. E quando se faz uma redução de juros na magnitude que fizemos, a coisa tem de desaguar para outro lado. E esse lado foi o câmbio. É inevitável, mas também acho que o governo tem subestimado a questão do câmbio. E isso acabou dando origem à percepção de que o governo não iria defender a moeda. Essa volatilidade do real pode custar em termos de credibilidade com investidores.

Quando você tem um real três ou quatro vezes mais volátil do que outras moedas emergentes, o investidor se assusta. E se pergunta se, para correr esse risco, eu vou ter de cobrar um prêmio maior? E tem a questão fiscal. A gente vinha num cenário de recuperação da disciplina fiscal. Esse cenário foi para o espaço com os efeitos da pandemia. O que preocupa é o oportunismo político para promover gastos desnecessários. Com a crise política, vai ficando mais evidente que o governo vai usar seu capital para garantir sua governabilidade e reeleição, e menos para garantir a agenda original de redução do tamanho do Estado.

Eu acho que no curtíssimo prazo não há ambiente para elas. Agora é enfrentar a pandemia, recuperar a economia e garantir a governabilidade até o fim do mandato atual. A reforma tributária está bastante amadurecida, enquanto a administrativa está mais atrasada. Vamos ter de passar a crise para recuperar esse debate. Isso que desencoraja muito o investidor estrangeiro. O Brasil está criando um histórico de decepcionar na questão econômica e política. A eleição do Bolsonaro trouxe entusiasmo com uma equipe econômica de viés liberal – e de novo essa promessa não se materializou. Precisa haver esforço para recuperar o interesse estrangeiro pelo nosso ambiente de negócios. O investidor olha e diz: o Brasil com mais um ruído, mais uma declaração esdrúxula que reverbera mundo afora? E pensa melhor.

O mercado financeiro diz temer uma eventual saída do Paulo Guedes (ministro da Economia). Isso pode piorar a crise econômica?

Certamente. O Paulo Guedes é hoje o grande fiador de redução do tamanho do Estado, de tentar coibir os abusos fiscais nesse tempo de pandemia. Acho que uma troca ministerial nesse momento seria uma solução péssima. Eu vejo com muita preocupação uma eventual saída do Paulo Guedes.

Não sou especialista nisso. Mas eu miraria muito nos exemplos de fora, onde foi feito o que tinha de ser feito, por um curto período de tempo, para evitar uma absoluta calamidade. Onde precisou ter lockdown, teve. Estamos vendo muitos desses países já voltando ao normal. Essa decisão tem de ser remetida aos epidemiologistas e aos cientistas. A gente precisa ter um caminho. Vamos fazer o lockdown? Vamos fazer, não vai ser o fim do mundo. Quem vai definir isso não vai ser o governo federal ou o estadual, vai ser o vírus, a gravidade da situação sanitária. Eu não minimizaria o problema. Até porque minimizar gera mais desconfiança, mais incerteza e atrasa a recuperação econômica. Acho que se vulgarizou demais essa discussão, com disputa entre populistas de um lado e oportunistas de outro. As pessoas têm de avaliar: a gente quer governos polarizando questões técnicas ou tentando amenizar um pouco a gravidade da situação, como a gente vê em outros países?

Alguns setores da economia, como as companhias aéreas, têm expectativa de conseguir ajuda subsidiada do governo. Como o sr. vê isso?

Muitos países têm auxiliado empresas durante a pandemia no sentido de tentar manter empregos e a atividade econômica. É natural que se avalie esse tipo de medida. É preciso tomar cuidado para que, se isso for feito no Brasil, não se beneficie um ou outro, mas que se aplique os recursos muito escassos para ajudar um pouco a economia. Vejo riscos enormes. Se olhar o governo do PT, até 2008, tinha uma política fiscal relativamente disciplinada. A partir de 2010, o PT descobriu como fazer uso do recurso de bancos públicos para dar incentivos para determinados grupos. Acabou tomando gosto pela coisa e isso resultou numa explosão do déficit fiscal, numa política que basicamente quebrou o País. A gente tem histórico de fazer uso desses expedientes de uma maneira que não é adequada.

Originalmente publicado no Estadão em 19/03/20. Link: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,vamos-todos-sair-mais-pobres-desta-crise-diz-presidente-da-br-partners,70003308004

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Dicionário de Negócios

O que é o Fundo Garantidor de Crédito (FGC)?

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é um instrumento criado em 1995 que fornece uma proteção aos correntistas e investidores em diversas aplicações de renda fixa. Esse fundo permite ao correntista ou investidor recuperar seus ativos aplicados em instituições financeiras em caso de falência, intervenção ou liquidação de tais instituições.

O FGC é uma entidade privada e sem fins lucrativos, constituída por um conjunto de instituições financeiras, tais como Caixa Econômica Federal, bancos comerciais, bancos de investimento, associações de poupança e sociedades de crédito. Essas instituições contribuem com um percentual de 0,0125% do total dos valores transacionados nas aplicações que têm a cobertura do fundo.

Caso o dinheiro precise ser devolvido ao investidor, o fundo não estipula um prazo de devolução, apesar de dizer que os investidores que aplicaram em bancos médios irão receber apenas depois de um prazo de 30 a 45 dias. A média do prazo de pagamento em casos de instituições liquidadas é de 3 meses.

O FGC cobre até R$ 1 milhão por CPF a cada período de quatro anos, sendo que o máximo que é coberto por instituição é R$ 250 mil. Ou seja, um investidor estará coberto pelo FGC se ele investir até R$ 250 mil em quatro conglomerados financeiros diferentes em um período de quatro anos. Se ele passar disso, essa aplicação adicional não será coberta pelo fundo. Passados esses quatro anos, ele poderá voltar a investir em ativos cobertos pelo FGC, desde que faça isso em instituições em que ele ainda não atingiu o teto de R$ 250 mil.

Ativos cobertos pelo FGC

As aplicações que são cobertas pelo FGC são as seguintes:

– Letras de Crédito Imobiliário (LCI)

– Letras de Crédito de Agronegócio (LCA)

– Letras de Câmbio (LC)

– Letras Hipotecárias (LH)

– Certificados de Depósito Bancário (CDB)

– Recibos de Depósito Bancário (RDB)

– Caderneta de poupança

– Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE)

– Depósito à vista ou sacáveis mediante aviso prévio

– Operações compromissadas que possuem como objeto títulos emitidos após 8 de março de 2012 por empresa ligada

– Depósitos mantidos em contas movimentáveis por cheques destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares.

Ativos não cobertos pelo FGC

Algumas das aplicações que não são cobertas pelo FGC seguem abaixo:

– Depósitos ou empréstimos captados no exterior

– Depósitos judiciais

– Debêntures

– Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI)

– Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

– Tesouro Direto

– Aplicações na bolsa de valores

– Letras Imobiliárias Garantidas (LIG)

– Depósitos em fundos de pensão, fundos de investimento, créditos de sociedades seguradoras, de sociedades de capitalização e de clubes de investimento.

Conclusão

Os objetivos do FGC são de (i) proteger depositantes e investidores, até os valores limites estabelecidos; (ii) ajudar a manter a estabilidade do sistema financeiro; (iii) auxiliar na prevenção de crises bancárias.

Esses objetivos são cumpridos, uma vez que o FGC traz liquidez às instituições financeiras pelo fato de fornecer segurança aos investidores. Os investidores sabem que mesmo em caso de quebra do banco ou da corretora, o fundo garante o retorno do dinheiro a ele. Esse tipo de instrumento é mais do que necessário para fornecer estabilidade econômica ao país.

Se você está começando a investir e quer ter segurança na sua aplicação, então ativos que garantam o FGC são talvez as melhores alternativas disponíveis.